Quinta-feira, 5 de novembro de 2026

Cobertura vegetal em favelas de Belo Horizonte recua 81% nas últimas quatro décadas

Levantamento do MapBiomas revela que o avanço da urbanização em favelas mineiras impactou drasticamente a vegetação e a temperatura local.

Por Redação WebTV Formoso05/11/2026 às 15:102 min de leitura
Fonte: g1 Minas Gerais (Leia)
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Cobertura vegetal em favelas de Belo Horizonte recua 81% nas últimas quatro décadas
Imagem: g1 Minas Gerais

O cenário das favelas na capital mineira sofreu uma transformação significativa entre 1985 e 2025, com a perda de 81% da sua cobertura vegetal. Conforme o levantamento realizado pelo MapBiomas, a área verde nessas regiões encolheu de 752 para 145 hectares, ao passo que a urbanização se expandiu 45%, totalizando 1.837 hectares no mesmo intervalo de tempo. Em uma análise estadual, as favelas de Minas Gerais apresentaram um crescimento de 149% na ocupação urbana, acompanhado por uma diminuição de 58% na vegetação nativa.

A pesquisa destaca que a ausência de árvores em locais com alta densidade urbana pode elevar a temperatura média durante o verão em até 7°C, quando contrastada com zonas florestais adjacentes. Um caso específico citado no estudo é a ocupação Água Limpa, situada na divisa entre Nova Lima e Itabirito, onde o índice de urbanização saltou 314%, atingindo 269 hectares, enquanto a mata local foi reduzida em 82%.

O presidente da Associação do Balneário Água Limpa, Humberto de Moura, explicou que o processo de ocupação na área aconteceu de maneira progressiva, alcançando inclusive regiões próximas a uma lagoa que, de acordo com a Prefeitura de Itabirito, deveriam ser mantidas como áreas de preservação permanente. O histórico da região aponta para um crescimento desordenado que pressionou os limites ambientais locais ao longo das últimas quatro décadas.

Para o coordenador do Mapeamento de Áreas Urbanizadas do MapBiomas, Julio Pedrassoli, a manutenção da vegetação é um fator indispensável para o controle térmico e o amortecimento de eventos climáticos severos. O especialista ressalta que a preservação de árvores e de solos permeáveis é fundamental para diminuir o escoamento superficial da água, o que auxilia na recarga do lençol freático e diminui os riscos associados a inundações.

Em Formoso, a preservação da vegetação nativa do Cerrado e das áreas próximas aos rios e veredas é essencial para a manutenção do clima e a proteção do solo. É recomendado que a população evite o descarte irregular de resíduos e preserve a vegetação ciliar para garantir a segurança hídrica e evitar erosões.

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