Tribunal de Contas suspende repasses de R$ 32 milhões para clubes de futebol mineiros
O TCE-MG barrou cautelarmente contratos de patrocínio de estatais para América, Atlético e Cruzeiro após questionamentos sobre a legalidade dos repasses.

O Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais ordenou a interrupção temporária de acordos de patrocínio firmados por empresas estatais com os times América, Atlético e Cruzeiro, totalizando R$ 32 milhões para o ano de 2027. O conselheiro substituto Licurgo Mourão assinou a decisão liminar, respondendo a um pedido formulado pelo governador eleito Cleitinho Azevedo. O planejamento dos pagamentos foi divulgado originalmente pelo atual governador Mateus Simões em setembro, logo após os times sofrerem impactos financeiros pela proibição de casas de apostas no território nacional.
Conforme o plano do governo estadual, o Atlético e o Cruzeiro seriam contemplados com R$ 15 milhões cada, restando R$ 2 milhões para o América. O planejamento ainda incluía possíveis negociações com o Athletic e o Uberlândia. A denúncia enviada ao tribunal destacou a carência de análises técnicas, a inexistência de critérios claros para os valores, a exclusividade dos beneficiários e a possibilidade de falhas na aplicação de recursos públicos.
A determinação judicial veda que as estatais firmem novos vínculos de patrocínio com times de futebol até que o mérito da questão seja julgado. Caso documentos já tenham sido assinados, a ordem exige o bloqueio imediato de qualquer transferência ou pagamento. As entidades envolvidas têm o prazo de 48 horas para demonstrar o cumprimento da medida, sob pena de multa diária por descumprimento.
Em declaração gravada, o governador eleito justificou a ação citando dificuldades nas contas públicas. Conforme os dados apresentados, o estado enfrenta uma renegociação de dívida de R$ 179,3 bilhões com a União pelo Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados, além de ter encerrado o ano de 2025 com um saldo negativo de R$ 11,3 bilhões no caixa.
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